segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Superação: O primeiro juiz cego do Brasil

“Ricardo T. M. da Fonseca perdeu a visão, mas não a capacidade de enxergar com os olhos da alma a luz no fim do túnel"

      Em um evento solene do 33º aniversário do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) do Paraná, realizado em Curitiba, teve o reconhecimento de um marco histórico na justiça brasileira. Com a presença do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi confirmada a posse do desembargador Ricardo Tadeu Marques da Fonseca, o primeiro juiz cego da história do Brasil, para ocupar uma das cadeiras destinadas ao Ministério Público do Trabalho. Mas não foi fácil conquistar essa vitória, óbvio.

O primeiro desafio

      Ricardo T.M. da Fonseca teve que enfrentar o seu primeiro desafio logo quando nasceu. Na “terra da garoa” (SP), o desembargador veio ao mundo prematuro, aos seis meses de gestação, e com complicações na visão e paralisia cerebral nos membros inferiores. Vencendo todos os problemas, ele conseguiu ter uma infância normal, pois até estudou.

Métodos próprios para enxergar na escuridão e vencer obstáculos

      Desde criança Fonseca contou com o apoio do próximo. Foi alfabetizado em casa por sua mãe e já no vestibular, partiu para a estratégia de estudar ouvindo aulas que seus colegas gravavam. As provas que fazia também eram gravadas em fitas. Mas foi no terceiro ano do curso de Direito na Universidade de São Paulo (USP) que o desembargador, ainda muito jovem, aos 23 anos de idade, perdeu completamente a visão. Mas a turma do curso não deixou ele desistir, e assim conseguiu se formar.

Resistências

      Durante os estudos, Ricardo T.M. da Fonseca enfrentou várias discriminações em algumas escolas que freqüentou. Os professores não tinham paciência para ensinar um menino com problemas visuais. As escolas não aceitavam a sua condição. Mesmo assim, sua mãe lutou até conseguir uma vaga em uma escola regular.

A discriminação

      No final dos anos 90, o desembargador passou pela decepção de não poder participar do curso de magistratura em São Paulo por causa da sua deficiência visual. Mas Fonseca acreditou na sua capacidade divina de superar limitações para vencer a sua deficiência e alcançar os seus objetivos. Casado e pai de duas filhas, esse desembargador paulistano, de 50 anos de idade, conquistou na vida coisas que muitos de nós, com toda "perfeição", não conseguimos por falta de coragem e fé na nossa capacidade de vencer obstáculos.

Um homem de visão

      Ao concluir a faculdade, Ricardo T. M. da Fonseca continuou a sua árdua caminhada em busca do seu sonho: exercer a magistratura. Fez mestrado e doutorado e o concurso para o Ministério Público (SP), no qual obteve o sexto lugar com mais de 4 mil candidatos. Fonseca também publicou o livro O Trabalho da Pessoa Com Deficiência e a Lapidação dos Direitos Humanos.

Conquistando o impossível

      “Esta é uma vitória não só do TRT, mas do povo brasileiro. Temos muitos desafios a superar, mas tenho fé na capacidade de superação de preconceitos. Cada cidadão figura no outro. Durante a evolução dos direitos humanos os ideais da Revolução Francesa perduraram. Temos em nossa constituição os mesmo ideais de igualdade, fraternidade e liberdade”, destacou Fonseca no site Agência de Notícias do Paraná.

      Saiba mais sobre a bela trajetória de vida de Ricardo T.M. da Fonseca aqui.

Fonte: Meio Óbvio

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